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Vantagens da Seleção e do Acasalamento Exogâmico - Artigo Técnico
segunda-feira, 20 de junho de 2011
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A pecuária de corte é uma atividade de baixo risco e alta liquidez quando comparada com as demais atividades do agronegócio. O grande desafio é aumentar a margem sobre a venda do produto, seja ele bezerro, boi gordo, boi magro, novilhas descarte, etc. No entanto, gestão e técnica devem sempre estar de mãos dadas para que as contas não fechem no vermelho.

No intuito de entender um pouco mais sobre os benefícios atribuídos ao melhoramento genético animal na pecuária de corte, precisamos entender, ou talvez, apenas despertar-nos para alguns pontos importantes.

O perfeito diagnóstico da empresa pecuária como um todo e a linguagem de indicadores como produção de carne/ha, desfrute, taxa de crescimento vegetativo, parâmetros reprodutivos, custos fixos e variáveis, custo da @ produzida, entre outros, ainda é distante da realidade de muitos pecuaristas. Infelizmente, poucos sabem informar precisamente como anda o próprio negócio, ou seja, poucos possuem informações confiáveis e sem “achismos” quando o assunto é a pecuária de corte.

Os famosos Índices Zootécnicos são informações de suma importância para que possamos analisar a real situação de uma propriedade de gado de corte, pois todos devem almejar um objetivo de seleção e metas de produção/financeira a serem alcançadas. Para isso devemos saber onde estamos, para onde vamos e como chegaremos lá.

O intuito de despertar alguns pontos que cabem ao diagnóstico e a gestão de uma empresa pecuária é que possamos entender e dimensionar de forma mais prática e numérica as vantagens da seleção e o acasalamento exogâmico (cruzamento entre raças) de cada rebanho.

O efeito favorável de se fazer seleção e acasalamento exogâmico parece ser bastante nítido aos nossos olhos no dia-a-dia, entretanto, as mensurações fenotípicas que  levam aos resultados dos índices zootécnicos devem ser feitas em busca de quantificar e monitorar a evolução do sistema.

 

A Seleção

Conseguimos ganho genético (ΔG), com a prática da seleção dentro de uma determinada população devido à mudança na freqüência gênica, conseqüentemente, na freqüência genotípica populacional. A seleção não é capaz de criar novos genes, mas sim aumentar o número de genes desejáveis para as características quais estão sendo selecionadas. O importante é que as mudanças genéticas obtidas pela seleção são permanentes, a menos que se faça seleção em sentido contrário.

A resposta à seleção é a diferença entre o valor fenotípico médio dos descendentes dos pais selecionados e a média da geração paterna antes da seleção. A resposta à seleção é medida através do ganho genético.

A decisão na hora de escolher um determinado indivíduo, principalmente no caso de um touro, por contribuir com um maior número de filhos por geração quando comparado com as vacas, devemos ter em mente o objetivo de seleção para posteriormente escolher os indivíduos que melhor se adéquam aos critérios de seleção. Como exemplo prático, podemos imaginar que o objetivo de seleção seria aumentar o ganho de peso dos animais do rebanho, com isso, poderíamos adotar como critério de seleção, a utilização dos touros com melhor mérito genético para as características de Peso a Desmama e Peso ao Ano, quais estão correlacionadas com a característica do objetivo.

Devemos fazer seleção para as características que resultam em maior lucratividade de acordo com cada sistema de produção. Para isso, o controle dos índices zootécnicos deve sempre estar atualizado, sendo essencial para tomadas de decisão.
 

Acasalamento Exogâmico (Cruzamento)

No decorrer dos últimos 4-5 anos, a venda de sêmen das raças européias vem crescendo de forma bastante significativa, devido ao aumento no número de rebanhos que utilizam acasalamento exogâmico, mais conhecido como Cruzamento Industrial. Em suínos e aves, essa ferramenta já é praticada em grande escala por muitos e muitos anos, o que fez aumentar a produtividade dos setores.   

Para um melhor entendimento sobre o “por que” desse aumento, vale explanar alguns conceitos:

Heterose: 

A heterose é mensurada como a diferença em desempenho entre os animais cruzados e a média das raças dos pais. Diversos mecanismos genéticos podem explicar a heterose. A explanação mais usual envolve os efeitos de dominância e o pressuposto de que em alguns loci, diferentes genes tornaram-se fixos para as diferentes raças. Fixação significa que todos os genes de uma determinada região do cromossomo são idênticos. Dominância significa que em uma região do cromossomo com dois possíveis tipos de genes, um irá dominar o outro. A idéia é que genes dominantes desejáveis em algumas regiões dos cromossomos tornaram-se fixos em uma determinada raça, porém, outros genes recessivos menos desejáveis têm sido fixados nas mesmas regiões dos cromossomos em outra raça. Em outra região cromossômica, o inverso é verdadeiro.

Exemplo:

Tabela 1.

 

Genes nas regiões cromossômicas

 

Valores  dos Genes nas regiões cromossômicas

 

 

Raça

"A"

"B"

"C"

"D"

 

"A"

"B"

"C"

"D"

Soma

I

AA

bb

cc

DD

 

2

0

0

2

4

II

aa

BB

CC

DD

 

0

2

2

2

6

Cruzado

Aa

Bb

Cc

DD

 

2

2

2

2

8

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Heterose = Cruzado - média (I e II)

 

 

 

Heterose = 8-(4+6)/2 = 3

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                    Fonte: L.Dale Van Vleck

Neste exemplo, o desempenho do animal cruzado foi superior ao desempenho dos pais, e superior 60% à média dos pais. Diversos trabalhos de pesquisa têm demonstrado superioridade (10-20%) em peso nas diversas idades dos animais cruzados quando comparados aos puros. Pensando apenas no “dentro da porteira”, isso é uma das ferramentas para aumentarmos o desfrute, taxa de crescimento vegetativo e produção de carne/ha como mencionado no início da matéria. 

 

Portanto, quando cruzamos raças diferentes quais tiveram genes favoráveis fixados para as diversas características durante o período de seleção, teremos um ganho em desempenho bastante significativo em muitos dos casos. Esse ganho será sempre maior quando utilizamos duas raças puras e de subespécies diferentes. Ex: Bos taurus indicus x Bos taurus taurus.

“A heterose é um fator biológico gratuito, basta querermos utilizá-la”.

Vale sempre lembrar de que seleção e acasalamento exogâmico devem andar juntos, pois quanto mais criteriosa for a seleção para o rebanho de matrizes e o touro escolhido a ser acasalado, melhores serão os resultados frutos do cruzamento entre as raças.

Desde 2002, a Alta trabalha com um programa de avaliação genética de touros europeus em cruzamento (PACTO), através de teste de progênie, respaldado por um rigoroso controle das informações disponibilizadas pelo mais completo software de gestão agropecuário, chamado Ideagri, programa de sociedade Alta, Linkcom e Rehagro. Disponibilizamos ao produtor o melhor da genética americana, canadense, australiana, argentina e nacional, testados em diversos sistemas de produção e ambiente do nosso país.

Através de um simples exemplo, podemos observar as diferenças em medidas fenotípicas existentes no desempenho da progênie de 3 touros da mesma raça, criadas sob iguais condições de manejo e ambiente  em duas fazendas localizadas no estado do Pará. As tabelas demonstram diferenças em desempenho de indivíduos avaliados geneticamente em condições de ambiente americano e dados fenotípicos quando submetidos a um sistema de cruzamento no Brasil. É importante notar que nem sempre os melhores indivíduos avaliados em uma determinada população e ambiente, serão os melhores em outras distintas condições. Fator explicado pela interação genótipo x ambiente.

 

Tabela 2.

 

Nº de Observações

 Peso Ajustado (205d)

DEP P205d (American Angus Association)

Touro 1

49

225 Kg

57 Lb

Touro 2

49

210,6 Kg

51 Lb

Touro 3

50

208,3 Kg

70 Lb

                                                                                                                   Fonte: PACTO

 Tabela 3.

 

Nº de Observações

 Peso Ajustado (205d)

DEP P205d (American Angus Association)

Touro 1

44

213,76

57 Lb

Touro 2

45

214,7

51 Lb

Touro 3

53

211,09

70 Lb

                                                                                                                   Fonte: PACTO

A pecuária de corte é uma atividade complexa e demanda gerenciamento detalhado assim como qualquer outra empresa dos diversos segmentos existentes.  

O bom entendimento sobre os poucos conceitos aqui citados, aliado aos avanços e utilização do Melhoramento Genético Animal através da Inseminação Artificial, Programas de Avaliação Genética, dentre outros, faz com  que a pecuária de corte seja cada vez mais competitiva dentro do setor agropecuário.

Marco Antônio Lopes Oliveira
Gerente de Produto Corte Taurino
moliveira@altagenetics.com
Responsável pela Edição da Matéria