As diferenças entre os animais têm origens ambientais e genéticas. Com a aplicação de métodos de seleção corretos podemos escolher os animais portadores das “cargas genéticas” superiores que serão repassadas aos seus descendentes.
A maioria das características econômicas é quantitativa, portanto passíveis de medições, o que facilita a aplicação dos métodos de seleção, que podem ser pelo valor fenotípico do animal, pelo desempenho individual, pela família, pelo pedigree e pelo desempenho da progênie.
Depois da seleção dos melhores animais, vem o sistema de acasalamento, que realizado adequadamente aumenta a freqüência dos genes desejáveis. De acordo com o objetivo de cada projeto, podem ser utilizados os sistemas Endogâmico - entre indivíduos com grau de parentesco, indicado para a raça pura e o Exogâmico - entre indivíduos pouco aparentados, indicado para cruzamento entre raças.
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O zebu brasileiro possui o melhor “conjunto genético” para produção de carne nos trópicos e a intensificação do melhoramento genético do zebu nas características voltadas a produção de carne permitirá o aumento da produção de carne no país, mas esse processo é lento e requer muitos anos de trabalho. A alternativa é aliar o cruzamento entre raças para obter resultados mais rápidos, por meio da utilização do fenômeno biológico “heterose ou vigor híbrido” e da complementaridade das raças. |
A precocidade é a velocidade que o animal atinge a maturidade sexual, momento em que o crescimento ósseo está completo e a musculatura já está quase toda desenvolvida e tem alta correlação com precocidade de terminação, que é a velocidade atingida na quantidade de gordura adequada na carcaça ao abate. O Brasil produz, hoje, uma média de 50kg de carne por hectare, podemos chegar a 200kg ou 300kg, por meio do uso do cruzamento industrial que se adapta melhor aos sistemas intensivos de produção propiciando maior velocidade de ganho de peso, maior precocidade sexual, maior precocidade de terminação e melhor conformação frigorífica.
O foco dos programas de cruzamento industrial é a rapidez do retorno financeiro. Para isso, é fundamental que se conheça a capacidade combinatória das raças e a contribuição de cada uma no esquema de cruzamento. Quanto maior a distância parental entre os animais envolvidos, maior será a heterose expressa em: vigor, crescimento, resistência, fertilidade, eficiência em ganho de peso, precocidade sexual e precocidade de terminação. O sistema de acasalamento pode ser otimizado quando conseguimos obter o máximo de cada contribuinte através do manejo simples, conhecendo sua origem e a capacidade de combinação. A definição de alguns critérios até o sobreano, pode definir o sucesso nos cruzamentos:
- Precocidade sexual - raças que apresentem fêmeas no cio e machos com libido antes dos 18 meses de idade.
- Precocidade de crescimento - raças que apresentem animais com peso igual ou superior a 500kg até os 18 meses de idade.
- Precocidade de acabamento - raças que apresentem carcaças prontas (3 a 10mm de gordura de cobertura) aos 18 meses de idade.
| As relações de natureza genética entre as características de crescimento dos animais e dos tecidos da carcaça determinam a existência de alguns tipos biológicos. A precocidade da raça está relacionada ao frame size (do tamanho à maturidade (idade adulta), classificado em grande, médio e pequeno porte. Na curva de crescimento de bovinos com diferentes frame sizes observamos uma diferença na idade em que os animais atingem a puberdade e a maturidade. |
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| Além do tamanho corporal as raças são classificadas de acordo com o grau de musculosidade: |
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Raças de tamanho grande e musculatura grossa apresentam taxas de crescimento superiores, porém são tardias no acúmulo de gordura de carcaça, demandando maior tempo de confinamento e alimentação. Raças de tamanho pequeno e musculatura moderada apresentam menores ganhos, porém são mais precoces no acabamento de carcaça. O cruzamento entre animais de raças com porte maior e acabamento tardio pode ser interessante do ponto de vista econômico, pois atinge maiores pesos de carcaça, ao se levar em conta um plano nutricional com maior demanda por alimentação. Raças terminadas precocemente têm peso mais leve e maior quantidade de gordura na carcaça, podendo ser mais viáveis do ponto de vista nutricional, demandando menor quantidade de alimento. A combinação entre raças de grande e pequeno porte pode prover animais com carcaças pesadas e boas coberturas de gordura, mas a escolha dos cruzamentos depende do planejamento para cada propriedade. |
| Rotacional |
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Utilizam-se duas raças, retendo as fêmeas para reprodução e promovendo o acasalamento entre animais da raça da mãe ou do pai, sem limite no número de gerações. Recomendado para a utilização de raças de menor porte para se aproveitar a precocidade sexual e a fertilidade das fêmeas retidas. Na discussão sobre o tamanho das vacas, a sua capacidade de desmamar um bezerro com mais de 45% de seu peso é que determina de fato a sua eficiência econômica. |
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| Terminal |
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Utilizam-se duas raças, sendo toda a produção destinada ao abate. A aplicação deste tipo de cruzamento é recomendada para as regiões central e norte do país, com intensificação da inseminação artificial, onde a receita é: Vacas Nelores inseminadas com raças européias para obtenção máxima de heterose, com todos os produtos destinados a recria e engorda. Nesse tipo de cruzamento podem ser utilizadas raças de todos os portes, sendo mais eficientes as de maior porte, por apresentar maior capacidade de crescimento e produção de fêmeas de elevado peso e boa conformação frigorífica. |
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| Rotacional Composto |
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Este tipo de cruzamento permite que a variação genética que ocorre dentro e entre raças seja potencializada, mantendo-se os níveis máximos de heterose. Um dos exemplos bem sucedidos deste tipo de cruzamento foi o Sistema Frisch, desenvolvido pela Alta em parceria com o Dr. John E. Frisch, pesquisador australiano, especialista em pecuária tropical. Um sistema simples, de baixo custo, baseado no cruzamento rotacionado das raças Nelore, Angus, Senepol e Hotlander. O Sistema proporciona além do aumento de produtividade resultante da manutenção máxima da heterose, uma maior lucratividade com a produção de animais vigorosos de bom ganho de peso e conformação de carcaça, e ainda a produção de carne de melhor qualidade visando beneficiar-se dos mercados de maior valor agregado. |
A implementação de um programa de cruzamento industrial demanda um sistema organizado de controle genético, de nutrição, de sanidade e de manejo. O resultado final compensa, pois reúnem maior produção, mais qualidade e menor tempo. O cruzamento industrial é ferramenta importante para aves, suínos, ovinos e bovinos, em um conceito de que não existe raça, existe produção e produto. O topo da pirâmide pecuária, os centros de pesquisa, os projetos de iniciativa privada e as empresas de inseminação artificial tornaram possível essa proeza: bois de qualidade com preços imbatíveis, falta agora migrar para os rebanhos comerciais e quantificar a qualidade em larga escala. O cruzamento industrial será a ponte entre a utilização da inseminação artificial com a avaliação genética de animais (TOP em DEPs) e a qualificação necessária para migrar o cruzamento industrial para produção em larga escala. A Alta coloca à disposição do produtor brasileiro seu programa de Cruzamento Industrial mantendo o compromisso com o resultado econômico de cada cliente.
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Tiago Carrara
tcarrara@altagenetics.com |